Pressão no Judiciário

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) formalizou, nesta segunda-feira (26), um pedido urgente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A medida, que inclui o passaporte diplomático, é justificada pela parlamentar como uma precaução necessária diante do risco de fuga do país, em um momento em que o senador é alvo de apurações sobre suposta lavagem de dinheiro.

O pedido ocorre em um cenário de alta tensão política após o encerramento do pleito eleitoral. A defesa da parlamentar argumenta que a saída do senador do território nacional poderia comprometer o andamento das investigações que tramitam na Corte. O STF, por sua vez, mantém o sigilo sobre os próximos passos processuais, enquanto a classe política observa atentamente a movimentação do magistrado.

Contexto das investigações

As apurações que envolvem o senador não são recentes. O parlamentar já foi alvo de inquéritos que remontam ao período em que atuava na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), envolvendo a prática conhecida como "rachadinha". Embora procedimentos anteriores tenham sido anulados por decisões de instâncias superiores, novos elementos surgiram no radar das autoridades, incluindo conexões com o caso do filme "Dark Horse" e suspeitas envolvendo o advogado Willer Tomaz.

O portal apurou que a permanência dos inquéritos no STF, mesmo após o fim do mandato do senador em 2027, é uma possibilidade real. A Corte tem consolidado o entendimento de que o foro por prerrogativa de função pode ser mantido se os crimes investigados tiverem relação direta com o exercício do cargo, o que mantém o parlamentar sob a jurisdição do tribunal superior.

Repercussão e o cenário internacional

Relatos de aliados indicam que o senador teria deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos, o que intensificou os pedidos de medidas restritivas por parte de opositores. O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) foi um dos que criticou publicamente a saída, classificando-a como uma tentativa de escapar de questionamentos sobre irregularidades financeiras, incluindo supostas fraudes no INSS.

Enquanto isso, o governo argentino negou ter recebido qualquer pedido de asilo político por parte do senador, desmentindo rumores que circulavam nas redes sociais. A situação coloca o parlamentar em uma posição de isolamento, enquanto o Judiciário avalia se a ausência do país configura obstrução à justiça ou se há elementos suficientes para a decretação de medidas mais severas, como a inclusão de seu nome em listas de monitoramento internacional.