O cuidado em liberdade como paradigma

Durante a 383ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde, especialistas se reuniram para discutir os desafios e as perspectivas da saúde mental no Brasil, em uma alusão ao Dia Mundial da Saúde Mental. O debate central girou em torno da consolidação do modelo de cuidado em liberdade, que superou a lógica de isolamento e negação de direitos que predominou em décadas anteriores, reafirmando o compromisso do Sistema Único de Saúde (SUS) com a dignidade humana.

Atualmente, a rede pública de saúde conta com uma estrutura robusta, composta por 3.158 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Com uma força de trabalho de mais de 88 mil profissionais dedicados, o sistema realizou, apenas em 2025, cerca de 79 milhões de procedimentos. Esses números demonstram a capilaridade do atendimento e a importância de manter o investimento contínuo na rede de atenção psicossocial para garantir a integralidade do cuidado.

Violências disfarçadas de novidades

Um dos pontos de maior atenção durante o encontro foi o alerta sobre novas formas de violência psicológica que, muitas vezes, são apresentadas ao público como inovações ou tendências de comportamento. Especialistas destacaram que o ambiente digital e as pressões sociais contemporâneas têm criado novos gatilhos para o sofrimento mental, exigindo que as políticas públicas de saúde estejam atentas a essas mudanças para oferecer suporte adequado à população.

O debate enfatizou que a prevenção e o acolhimento devem ser prioridades, combatendo a estigmatização e promovendo a conscientização sobre a importância da saúde mental em todas as fases da vida. A discussão também serviu para reforçar a necessidade de resistência contra retrocessos que tentam reintroduzir modelos de exclusão, defendendo que o cuidado deve ser sempre pautado pelo respeito à autonomia do indivíduo.

Fortalecimento da rede pública

O Conselho Nacional de Saúde reafirmou que a saúde mental é um direito fundamental e que o fortalecimento do SUS é o caminho para garantir que esse direito seja efetivado. A troca de experiências entre gestores, trabalhadores da saúde e usuários do sistema é essencial para aprimorar as estratégias de atendimento e enfrentar os desafios impostos por uma sociedade em constante transformação.

Ao final do encontro, ficou claro que o Brasil possui um modelo de referência mundial no cuidado em saúde mental, mas que a vigilância deve ser constante. A integração entre diferentes setores da sociedade e o poder público é a chave para proteger a saúde mental da população, garantindo que as inovações tecnológicas e sociais sejam aliadas do bem-estar, e não fontes de novos adoecimentos.